Superbarroco é um desses objetos filmados não identificados que Pernambuco tem produzido com certa freqüência, e sem maiores explicações. Não há piadinhas, não há exatamente um início, meio ou fim, mas há algo que parece faltar a boa parte dos filmes que vemos no mundo. A escolha narrativa da realizadora em ilustrar os delírios de um louco de rua foi interferir no cenário com diversas projeções, que deixam as imagens, no mínimo, com uma beleza desconcertante. Esta é a base estética que se apóia o filme. O que poderia virar apenas uma videoarte , aos poucos vai ficando mais claro ao espectador que se trata de muitos dos fantasmas do personagem, o que torna o filme ainda mais bonito.

superbarrocoRenata Pinheiro , que tem uma carreira reconhecida como diretora de arte (Baixio das Bestas, A Festa da Menina Morta), função que tem participação importante no visual de um filme, é também artista plástica. Em alguns casos, no cinema, esse tipo de credencial explica a total falta de interesse numa narrativa linear e uma viagem de maionese sem volta e sem fim. Não nesse caso.

Em Superbarroco, temos muitas vezes a superposição de imagens diferentes de uma vez só, nos lembrando que a água, a comida ou a arquitetura de uma casa podem ser uma extensão de nós mesmos, dos nossos sentimentos e das nossas lembranças. Exatamente como o cinema. O curta de fato expõe uma narrativa comum para nos apresentar um homem e, talvez, o que se passa pela sua cabeça, ou um pouco dos seus sentimentos. Não é exatamente simples expressar esse tipo de coisa em cinema, investir em sensações e não tanto em ações.

Por: Fernanda Lima