A produção audiovisual pernambucana cresce de uma maneira acelerada, gerando empregos e movimentando um estado que cada vez mais vê o cinema como forma de expressão e comunicação. Junto com o desenvolvimento da cena cinematográfica local, cresce também a procura por cursos de graduação na área de cinema, que são limitados se comparados com a quantidade de instituições de ensino em funcionamento atualmente. Os interessados em cursar uma graduação e ter um diploma na área de cinema se vêem com apenas três opções. As únicas faculdades privadas a oferecerem especializações em vertentes do cinema são Maurício de Nassau e AESO Barros Melo. Entre as públicas, só a Universidade Federal de Pernambuco oferece, hoje, esse tipo de graduação.
Quem quiser se especializar em cinema digital deve procurar a Faculdade Maurício de Nassau, no bairro do Derby, em Recife. O curso tem um valor mensal de, em média, quinhentos reais, e aborda principalmente os processos digitais de captação e pós-produção de imagens cinematográficas em disciplinas como redação, montagem e edição e produção audiovisual. Para o coordenador da graduação, Leonardo castro, o curso de cinema digital visa atender à demanda do mercado por profissionais com uma formação específica para atuação na área. Com relação à qualidade do curso, as impressões são bastante positivas. “No começo existiam algumas dificuldades, mas como o curso é novo, isso é normal. Com o passar do tempo, essas dificuldades tem diminuído bastante”, afirma o estudante Fabrício Cruz, aluno do 6º período da Faculdade Maurício de Nassau.
Já a Faculdade Barros Melo, em Olinda, é a única instituição do Nordeste a oferecer um curso voltado apenas para a vertente do cinema de animação. A grade curricular do bacharelado é toda estruturada para desenvolver as habilidades do estudante em várias técnicas de animação tradicional, 2D, 3D e stop motion. Também fazem parte da grade cadeiras como direção, roteiro, produção, montagem, sonorização e fotografia. O curso de cinema de animação da AESO tem duração de 3 anos, oferecendo 80 novas vagas por período. O investimento para quem quer cursar essa graduação é de cerca de seiscentos reais mensais.
Mas aquele estudante que não quer ou não pode desembolsar algumas centenas de reais todo mês para pagar uma graduação, pode optar pelo novíssimo curso de cinema da UFPE, que teve sua primeira turma iniciada no mês de março deste ano e irá oferecer 50 novas vagas todo ano. Segundo a coordenadora do curso, Ângela Prysthon, a abertura da graduação em cinema se deu por causa da grande demanda da sociedade por especializações do tipo. “Há décadas que o cinema em Pernambuco estava sendo feito por egressos dos cursos de Comunicação. Pessoas que cursavam Jornalismo, Publicidade ou Rádio e TV, porque o curso de Cinema ainda não existia. Temos nos nossos quadros de docentes pessoas com forte formação teórica na área que também vinham atuando nesses cursos já com forte inclinação para o campo do Cinema e que se sentiram muito mais à vontade para trabalhar nesse curso especificamente”, avalia Prysthon. É inegável a importância dessas graduações para o suprimento de uma lacuna que existia na produção local. Em épocas de grande efervescência na cena audiovisual, torna-se cada vez mais necessária a existência de um espaço acadêmico no qual se estabeleçam discussões amadurecidas sobre o cinema, além de uma disponibilidade maior de profissionais capacitados para as diferentes funções, não apenas diretores ou autores, mas também diretores de produção, fotografia, arte, técnicos de som, entre outros.
Por: Nathália Ferraz